Coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP – CTQ fala com exclusividade à ACRESCE

 

O engenheiro Renato Genioli, coordenador do CTQ do SindusCon-SP, recomenda a leitura minuciosa do Manual do Proprietário, guia elaborado pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e Secovi-SP (Sindicato da Habitação) destinado a síndicos e condôminos com o objetivo de preservar garantias das construtoras a seus produtos além de direcionar a manutenção dos edifícios. Claro e objetivo, o manual, em sua terceira edição, pode ser acessado online no endereço:

https://sindusconsp.com.br/sinduscon-sp-disponibiliza-em-seu-site-manual-do-proprietario/

 

Acresce – Qual o primeiro aspecto a ser observado em relação ao estado de um edifício?

Sua fachada, evidentemente. Além da questão estética, a fachada pode indicar infiltrações e fissuras, capazes de comprometer a funcionalidade do edifício. As revisões preventivas devem ocorrer a cada cinco anos. Assim se evita também outras patologias, inclusive na estrutura, e a insalubridade aos moradores.

Acresce – O Manual do Proprietário traz recomendações sobre manutenção preventiva. Há vantagens nessa prática?

Inúmeras. Primeiro, realizar tais manutenções preserva a garantia oferecida pela construtora. Na hora de reclamar de algum problema, seja na fachada, piso, instalações elétricas, hidráulicas e outras, é preciso comprovar que essas manutenções tenham sido feitas. É algo similar ao que ocorre com um automóvel novo. Se não forem feitas as revisões estabelecidas, o proprietário perde a garantia.

Acresce – Quais outras vantagens trazem a prevenção?

Custo. Pode-se generalizar estabelecendo como de 1 para 10 a relação do gasto entre manutenção preventiva e a corretiva. Mas para que a primeira seja efetuada dentro dos prazos e com procedimentos corretos é preciso que o síndico e a administradora promovam a criação de reservas financeiras, ou seja, o fundo de caixa. Assim, economiza-se no longo prazo, evitando-se problemas maiores com o edifício.

Acresce – Via de regra, os condomínios têm realizado tais manutenções preventivas?

A cultura está mudando no Brasil. Não éramos propensos à manutenção preventiva. Mas, hoje, essa já é uma prática mais comum. Credito isso à crescente influência das administradoras. Contudo, as assembleias ainda são soberanas. Cabe a elas a palavra final. Há também uma legislação recente que obriga a execução desses cuidados sistemáticos visando aumentar a vida útil das edificações. Daí a força da lei.

Acresce – O que pode ocasionar a perda da garantia do imóvel?

Principalmente mudanças estruturais em áreas comuns, em instalações elétricas e hidráulicas. Caso não seja implantado e executado de forma eficiente o Programa de Manutenção de acordo com a ABNT NBR 5674 – Manutenção de Edificações, atendendo requisitos para o sistema de gestão de manutenção, ou apresentada a efetiva realização das ações e outros itens descritos no plano, além dos demais tópicos constantes do manual.  

Acresce – Em relação à segurança dos edifícios, apontam-se recomendações?

Quando se pensa em segurança, a associação mais imediata é com incêndios. Tivemos grandes incêndios em São Paulo no passado. Muito se falava em problemas com o ar-condicionado. Na realidade, os novos edifícios já são projetados prevendo-se uma carga bem maior do que antigamente, quando eram poucos os eletrodomésticos. As instalações modernas são mais robustas, o que reduz o risco de incêndio. No caso de equipamentos não fornecidos pela construtora, estes devem ser adquiridos e instalados de acordo com características de projeto. Não se deve efetuar furações em lajes, vigas, pilares e paredes estruturais para a passagem de infraestrutura.

Acresce – O manual aborda também a questão da sustentabilidade e meio ambiente. Há tendências nesse ponto?

Temos a questão das fontes de energia. A solar vem evoluindo, mas depende da quantidade de radiações, que, muitas vezes, é insuficiente. Há também a cogeração com base no gás. Esta é uma opção que atinge o patamar máximo em termos de sustentabilidade. Mas é de difícil aplicação para edifícios antigos e também para prédios menores e isolados. Acreditamos que seja uma grande solução em condomínios maiores com esses recursos já previstos em seus projetos.

Acresce – Uma questão polêmica em São Paulo é o fechamento das varandas gourmet. Qual a posição do SindusCon?

Nessa questão é preciso esclarecer que apenas o uso do caixilho pode implicar numa tributação maior do IPTU. Existem soluções em vidro que dispensam essas estruturas, evitando a classificação da varanda como área sujeita ao imposto municipal. Mas também cabe bom senso do proprietário, que deve evitar tornar essas varandas áreas de longa permanência. Elas não foram feitas para isso. Podemos inclusive alertar para a questão da segurança. Em eventuais ações do corpo de bombeiros, essas áreas não podem estar obstruídas por móveis ou fechamentos irregulares. 

ACRESCE – ASSOCIAÇÃO DOS CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS E COMERCIAIS

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