Luis Sergio Roizman (jornalista – Diretor Comunicação Acresce)

24.11.2021

 

Uso de churrasqueiras voltou com tudo, mas na decoração de Natal a tendência é reutilizar materiais.

Com a paulatina reabertura das áreas comuns nos últimos meses, os condomínios chegam ao final do ano com grande demanda pelo uso de churrasqueiras. Salões de festa não costumam ser usados no Natal e Ano Novo. Essa tendência prossegue. A decoração de Natal está mais pobre, em geral, ou repete materiais usados no passado. A ACRESCE ouviu três síndicos profissionais, que relataram suas experiências e percepções acerca da realidade do momento. E também a Cipolatti, empresa líder em decoração de Natal.

Para Paulo Mujano, síndico profissional de onze edifícios em São Paulo, sendo dois comerciais e nove residenciais, a reserva por churrasqueiras aumentou bastante nos últimos meses. Hoje, em vários edifícios residenciais, há overbooking. “A recomendação é o uso de máscaras, a não ser nos momentos de alimentação.” Como já era costume, não há demanda pelos salões de festa, já que o Natal e Ano Novo são festas mais íntimas ou que implicam em viagens. Na questão da decoração natalina, a ordem das assembleias foi enxugar despesas, ou seja, redução de gastos. Nos condomínios comerciais administrados por Mujano a sobriedade sempre imperou, ainda mais neste momento. “A ordem é não baixar a guarda, pois a pandemia ainda não acabou.”

 

 

Já Tatiana Mota, gerente administrativa da Avante, responde por dez edifícios em São Paulo e na baixada Santista. “Pedimos bom senso aos moradores em relação ao uso de máscaras nas áreas comuns. A demanda pelos equipamentos dos prédios voltou ao normal, pré-pandemia. No caso das churrasqueiras, o recurso usado pela administradora é o sorteio, devido à forte demanda.” A decoração natalina não ocupou a lista de prioridades este ano, segundo ela. Apenas um condomínio entre dez resolveu investir mais forte.

 

 

Na região do ABC, Cristiano Fransolin cuida de quatro edifícios residenciais, um deles de alto padrão, onde, contrariando a tendência, foram investidos R$ 3.600,00 no aluguel de uma árvore de Natal com 2,4m de altura. “Isso mostra que a crise não atingiu todo mundo de maneira igual. Cuido de outro condomínio, mais simples, onde o nível de inadimplência está em 25%. Lá, esse aluguel seria impensável.” Sobre normas de higiene, a ABC Síndicos Profissionais, dirigida por Cristiano, segue recomendando o uso de máscaras e álcool em gel nas áreas comuns, especialmente churrasqueiras, os equipamentos mais procurados.

 

 

Cipolatti

Maior indústria de enfeites de Natal da América Latina, a Cipolatti, com unidade de produção em Jacareí (SP), informou que não teve demandas para decoração em condomínios este ano. A empresa trabalha com projetos completos, especialmente para edifícios comerciais. Uma porta-voz da empresa disse que os pedidos são feitos com bastante antecedência, com encerramento em agosto. Segundo a Cipolatti, pesaram este ano as condições financeiras dos condomínios e as restrições impostas pela pandemia de Covid-19.

 

 

No dia 29/11/21 – 19:00 horas, ocorrerá mais um evento com a marca Acresce, para comemorar o dia do Síndico no dia 30/11.

O tema será o uso de aplicativos (app) para gestão condominial. No caso o Aplicativo Acresce estará em foco.

Para isso foram convidados Ana Rita Oliveira da desenvolvedora MyCond (que desenvolve esse aplicativo Acresce) e Maurício Jovino que falará com a experiência de quem vê nesse tipo de aplicativo  poderosa ferramenta em prol da administração já que agrega muitas funcionalidades de grande utilidade para a administração condominial.

Anote: 29/11/21 às 19:00 (inscrições pelo site ACRESCE – https://acresce.org.br/cadastre-se-evento/). É gratuito

Para mais informações: 11 9 8435 3160

 

“Acresce, junte-se a nós e ganhe a força da coletividade que mora ou trabalha em condomínios”

 

Maior capacitação dos síndicos, novas tecnologias e mudança de práticas, principalmente em higiene, irão compor a nova realidade.

 

Por Maurício Jovino*

 

 

A pandemia da Covid-19 pode ser considerada um divisor de águas no setor condominial. Em notório declínio – muito embora pairem no horizonte dúvidas sobre a possibilidade de controle absoluto ou eliminação total da ameaça – esse cataclisma que assola a humanidade provocou e ainda irá provocar mudanças na sociedade dentro de um quadro que alguns descrevem como “novo normal.” Isso inclui o mundo dos condomínios, que, mais amadurecido, prosseguirá suas trajetórias. Afinal, aquilo que não mata, fortalece.   

 

Acostumados a lidar principalmente os 5 Cs problemáticos – cano, criança, cachorro, carro e calote – os síndicos passaram a se defrontar com a Covid-19 e seus efeitos, como barulho excessivo, fechamento de áreas comuns, comportamento agressivo de condôminos e mais. Muita coisa não estava em livros ou manuais, mas é fácil constatar que chegam a ponto de ocupar as páginas de uma cartilha de A a Z. Na etapa em que nos encontramos, às vésperas de 2022, já é possível vislumbrar alguns dos contornos do cenário que virá.

 

A tecnologia, encabeçada pelos aplicativos condominiais, estará no centro dos holofotes. Mesmo com a possibilidade de volta das assembleias presenciais, já é possível perceber a consolidação do modelo híbrido, presencial/virtual. Isso porque há gosto para tudo. Os mais idosos preferem o modelo tradicional, enquanto os mais jovens ficam com o computador e smartphone. É preciso registrar que as assembleias virtuais têm mais quorum, um fator positivo. Essa tecnologia permite também que os proprietários de imóveis de veraneio participem das reuniões sem necessidade de deslocamentos.

 

Na questão da higiene, mesmo que se abandone o álcool em gel e a prática de colocar sapatos do lado de fora das portas, com o abrandamento da Covid- 19 é fácil vislumbrar condomínios mais asseados. Isso inclui não só a intensificação no trabalho da equipe de faxina interna, como também a contratação de empresas especializadas, muitas delas criadas durante a pandemia. Afinal, várias são as doenças contagiosas que aparecem e desaparecem de tempos em tempos. Não se deve baixar a guarda.

 

Mudanças radicais no comportamento das pessoas são algo imponderável. Só os historiadores do futuro dirão se aprendemos a conviver melhor com nossos vizinhos depois dessa catástrofe sanitária. Seria muito arriscado dizer hoje que a paz prevalecerá. Isso porque, se for feito um paralelo com as guerras, muita gente que sobreviveu aos horrores de um conflito armado já deve ter imaginado: este é o último. No entanto…

 

Tarefas

 

Mas há muito a fazer. Aí entram as tarefas do síndico e seu papel de liderança. A palavra de ordem é: educação. No caso, capacitação específica. Síndicos são profissionais multifacetados. Suas funções exigem conhecimentos nas áreas trabalhista, tributária, relações humanas (mediação e conciliação), técnica (manutenção de equipamentos) e outras. As novidades têm chegado com frequência inusitada. É a LGPD, stalking, obrigação de relato sobre violência doméstica e mais. Não se pode parar no tempo: atualização.

 

Defendemos desde há muito a exigência de certificações emitidas por cursos técnicos para síndicos, sejam eles moradores ou profissionais. Não há mais lugar para amadorismo. Esses cursos devem ser regulamentados e monitorados pelo MEC. Vale lembrar isso agora que se aproxima o 30 de novembro, Dia do Síndico. Quem sabe, diante de um mercado condominial cada vez mais complexo e exigente, as autoridades se sensibilizem já no próximo ano para essa matéria criando uma legislação abrangente.

 

 

*Síndico profissional e diretor do Centro de Capacitação de Síndicos, entidade que atua em parceria com a ACRESCE (Associação dos Condomínios Residenciais e Comerciais). 

 

 

Benefício será pago pelos condomínios, segundo cláusula da última Convenção Coletiva de Trabalho (data-base em 1º de outubro)

 

A partir de 1º de dezembro deste ano, o trabalhador em edifícios também terá acesso ao BENEFÍCIO ASSISTENCIAL DE PREVENÇAO À SAÚDE (BAPS), que acaba de ser criado e se tornou cláusula integrante da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria assinada entre o Sindifícios (trabalhadores) e o Sindicond (patronal). O acordo vale para a cidade de São Paulo e outras regiões onde atuam esses sindicatos.

O benefício deverá ser concedido por todos os empregadores, independentemente do trabalhador ser sócio do sindicato ou não. Terá direito a usufruir ao BAPS todo trabalhador que não possuir plano de saúde custeado pelo condomínio. Neste primeiro momento, o benefício será apenas ao trabalhador da categoria, não se estendendo, assim, aos dependentes e/ou terceiros. 

O BAPS será um sistema de proteção social, uma forma de medicina preventiva que terá como principal objetivo evitar o desenvolvimento ou agravamento de doenças, melhorando a qualidade de vida dos seus usuários, segundo o sindicato dos trabalhadores. A empresa gestora do benefício será a Vila Velha Saúde Assistencial Preventiva, escolhida por ambas as entidades após avaliação de qualificação profissional e idoneidade. Caberá à mesma encaminhar os trabalhadores as clínicas médicas e efetuar o agendamento das consultas, nas quais cada trabalhador terá acesso a 12 atendimentos anuais em clínico geral e/ou ginecologista. O custo para o condomínio será de R$ 28 reais mensais por trabalhador.

Para o professor Maurício Jovino, diretor do Centro de Capacitação de Síndicos, o benefício que passa ser concedido aos funcionários representa um ônus “suportável” aos condomínios. “Acho a iniciativa positiva. Por outro lado, claro que será um encargo a mais a ser pago pelos condôminos.” Síndicos ouvidos pela ACRESCE manifestaram dúvidas quanto à gestão dos recursos a serem arrecadados por meio do benefício.

O Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo – SINDIFÍCIOS – representa zeladores, porteiros, vigias, faxineiros, garagistas, folguistas, manobristas, ascensoristas e demais funcionários da categoria há quase 60 anos. Ao todo, são 300 mil trabalhadores representados na cidade.