União, organização e mobilização dos condomínios podem fazer frente a desafios financeiros cada vez maiores

O SECOVI produz periodicamente o Índice de Custo Condominial (ICON). Recentemente, divulgou a evolução acumulada desse índice nos últimos 12 meses (até setembro/2019) na Região Metropolitana de São Paulo e comparou-o ao Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). A evolução do IGP-M (3,37%), no período, revelou-se menor que o ICON (4,64%).

Segundo o SECOVI, os itens Conservação/Limpeza subiram 3,32% no período. Manutenção de Equipamentos e Diversos subiram 3,38%. Pessoal e Encargos cresceram 4,33%, enquanto as Tarifas, 7,19%.

Há muitos números e detalhes, mas nossa tendência é identificar na origem dessa distorção alguns fatores:

1 – A variação do IGP-M é fortemente baseada na variação do dólar americano.

2 – Tarifas e preços públicos, um dos itens que mais majoraram em pontos percentuais, vêm aumentando sensivelmente nos últimos anos, muitas vezes mais que a inflação, esta representada pelo IPCA-IBGE.

3 – Os itens Conservação/Limpeza e Manutenção de Equipamentos, assim como Pessoal e Encargos, são sempre fortemente afetados por reajustes salariais.

A primeira questão que se propõe: é correto comparar variação do IGP-M com a evolução dos custos condominiais? Afinal, os insumos componedores desses custos condominiais não agregam custos em dólar. A inflação oficial é medida pela variação do IPCA-IBGE, que, até agosto, havia acumulado 2,5354% (não há dados acumulados até setembro para compará-los com a evolução do IGP-M).

Outra questão, agora relacionada com os custos salariais: os condomínios, que, afinal, são aqueles que repassam as contas para os condôminos, têm de fato exercido seu poder de representação nos acordos e convenções coletivos que determinam os reajustes salariais?

Vale lembrar, ainda: e quanto às tarifas e preços públicos? Os condomínios têm poder de representação perante as autoridades ou agências governamentais que negociam, ou, ao menos, autorizam tais aumentos?

É por estas e outras questões que a ACRESCE (Associação dos Condomínios Residenciais e Comerciais) foi idealizada. Justamente para atuar em todas as frentes, inclusive estas, visando promover a representação perante aqueles agentes ou itens que impactam no valor final da contribuição condominial.

Não há alternativa, exceto o associativismo. Quanto mais associados, mais fortes seremos. Do contrário, é aceitar, passivamente, aumentos insuportáveis dos custos e despesas condominiais sem ter para quem e como reclamar.

 

Adonilson Franco, presidente da ACRESCE (Associação dos Condomínios Residenciais e Comerciais)

 

 

 

 

 

 

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